O governo do presidente Lula promoveu nos últimos anos um intenso intercâmbio comercial e cultural com o Continente Africano. Já visitou vinte países para consolidar essa proposta de aproximação e explorar esse imenso potencial ecônomico e cultural. As relações com a África tornaram-se prioridade para o presidente Lula, por ele entender que o Brasil tem uma dívida histórica com aquele Continente, devido aos anos de escravidão e o tráfico de seres humanos para aqui servirem aos senhores feudais.
Durante o lançamento do III Festival Mundial de Artes Negras, em Salvador, em junho deste ano, o presidente Lula ressaltou a inegável importância dos negros na construção do Brasil. "O modo de vida de cada brasileiro e brasileira, a nossa língua, a nossa arte, a nossa forma de ver o mundo e, principalmente, o nosso jeito de ser têm raízes fincadas no solo africano [...] um continente que ajudou o povo brasileiro a ser como somos: alegres, batalhadores e com alma grandiosa".
Este novo capítulo nas relações Brasil e África está definitivamente escrito para a posteridade, sabidamente pelo compromisso com que o atual governo brasileiro tem se empenhado desafiadoramente para proteger e valorizar a diversidade das expressões culturais do mundo negro.
No âmbito do Ministério da Cultura, a Fundação Cultural Palmares foi chamada a dar corpo a esta nova política. Além de desenvolver programas e projetos de cooperação e intercâmbio com países francófonos, como o Senegal e o Benin, A Fundação tem a responsabilidade ainda de fortalecer políticas comuns nos países africanos de língua portuguesa, que fazem parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Além de uma ação específica para o continente africano, dentro da América Latina, as ações da Fundação Cultural Palmares estão também norteadas para uma política de aproximação com o Continente Africano, que busca evidenciar a preservação, valorização e difusão das manifestações culturais de origem negra.
A necessidade de articular a cooperação, o intercâmbio, a promoção e a divulgação da cultura afro entre o Brasil e países da América Latina e Caribe foi bastante evidenciada no 1º Encontro de Ministros da Cultura Latino-Americanos, para criar uma agenda afro-descendente nas Américas, realizado em 2008, em Cartagena de Índias, Colômbia.
Considerado um marco na proposta de cooperação multilateral entre os países ibero-americanos que elegeram a diversidade cultural como objetivo de um projeto de integração, este primeiro encontro de ministros da Cultura discutiu a necessidade de definir uma agenda comum entre os países, que seja capaz de construir processos de fortalecimento de identidade e integração das manifestações culturais afro-descendentes.